Logística para se pousar no cometa

O dia 12 de novembro marcou uma conquista histórica para a humanidade. O robô Philae, enviado por nave da Agência Espacial Europeia (ESA) conseguiu pousar no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko após percorrer 6 bilhões de quilômetros. A operação começou há 10 anos e envolveu um planejamento de logística sem precedentes.

philae comet

As iniciativas anteriores tentavam enviar módulos em velocidades semelhantes ou até mesmo em colisão aos cometas. Dessa vez, o plano foi mais sutil e, principalmente, paciente. A Sonda Rosetta, que impulsionou o Philae, foi enviada em 2004 e ficou a última década estudando o movimento do cometa.

Em 2011, a Rosetta entrou em hibernação para economizar energia e esperar a passagem do cometa. Nesse período, ela ficou incomunicável com a Terra. No início de 2014, a nave acordou para enviar informações sobre a navegação do cometa para o ESA. Com os dados enviados, os cientistas poderiam corrigir o trajeto da sonda em direção ao Churyumov-Gerasimenko.

A sonda iniciou o deslocamento rumo ao cometa em agosto. Desde então, foi criado um mapa da superfície do cometa que proporcionou a definição da rota final a ser percorrida pelo módulo até o pouso no cometa.

Desafios

Um dos muitos complicadores da tarefa são as dimensões do cometa. Ele tem apenas quatro quilômetros de diâmetro, o que faz com que praticamente não exerça força gravitacional sobre a sonda. Dessa forma, a Rosetta utilizou de jatos para permanecer no encalço do corpo celeste.

Outro desafio da operação ocorreu devido à composição do cometa. Formado por gelo e poeira, na medida que o astro se aproximava do sol gerava nuvens de vapor e de gás que atingiam os painéis solares da sonda, como ventos movendo uma vela. Isso prejudicava à sonda a acompanhar o movimento do cometa, exigindo mais impulsão.

A falta de gravidade também prejudica o processo de pouso. Para tal, a sonda atirou uma lança na superfície do cometa para manter o contato, independentemente da consistência da superfície encontrada.

O período de hibernação foi realizado para conservação de energia. A sonda é movida por energia solar e por estar quatro vezes mais distante do sol do que a Terra, a incidência de luz é menor.

Logística

A missão mostra diversos paralelos com a logística empresarial. O lançamento da sonda Rosetta e do módulo Philae já é um exemplo notável de planejamento e definição de fluxos até escolha de rotas via sistemas de informação.

A missão da Agência Espacial Europeia também envolve vários elementos logísticos. Mais notavelmente, as etapas de deslocamento da sonda até a área de hibernação e posteriormente de encontro ao cometa são análogas às operações de transporte e distribuição na logística.

Descoberta

A aproximação ao sol desencadeia o processo de ativação do cometa, o estado de derretimento e liberação de gás. Segundo os cientistas, o Churyumov-Gerasimenko era uma nuvem de gás e poeira anterior ao sistema solar e não sofreu alterações desde sua solidificação.

Observar o que acontece com seu corpo durante a aproximação ao sol poderá ajudar aos cientistas a entender a formação dos planetas. O Philae conta com equipamentos que também poderão estudar a composição da rocha e gelo encontrados no cometa.

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