O setor aéreo por um Comissário de Voo.

lucas

Ao falarmos sobre os problemas do setor aéreo brasileiro, são comuns as opiniões de membros do governo, representantes das companhias aéreas e também dos passageiros. Cada um abordando a questão sob sua ótica. Contudo, poucas vezes a opinião dos profissionais que estão no meio de toda essa discussão é consultada, embora seja imprescindível para apontar os erros e acertos do setor. Hoje, o Blog Logística entrevista um desses profissionais: o Comissário de Voo Lucas Muniz.

Lucas é um dos vários tripulantes que foram desligados no polêmico processo envolvendo a compra da Webjet pela Gol e está há mais de um ano sem voar, mas se mantém atualizado por meio de notícias e informações constantes dos colegas que voam nas outras companhias aéreas pelo país. De certo modo, seus relatos traduzem o sentimento de vários desses tripulantes e também dos funcionários em terra.

Nesta 1ª parte da entrevista, o assunto abordado versa sobre “O cenário da aviação brasileira diante da Copa”. Nas próximas semanas serão abordados assuntos como “Condições de trabalho”, “Tecnologia e infraestrutura” e “O perfil dos passageiros brasileiros”.

BL – Lucas, o Brasil é o país que teve mais tempo para se preparar para a Copa, entre aqueles que já sediaram o evento, mas pouco foi feito em termos de infraestrutura no setor aéreo. Na sua visão, de quem é a culpa por esse atraso?
Sem dúvida da burocracia brasileira. Aeroportos como o de Brasília, Confins e Galeão tiveram tempo suficiente para as concessões e reformas, mas devido à burocracia elas ainda não foram feitas ou até foram, mas de forma paliativa e em cima da hora. Nenhum dos aeroportos, seja sob concessão privada ou da Infraero, está pronto.

 

BL – A imprensa e a população, de modo geral, criticam muito as companhias aéreas, mas qual é a responsabilidade delas nisso tudo?
Posso te garantir que a culpa das companhias aéreas é a menor. Elas são apenas a ponta do iceberg e estão na linha de frente. Naturalmente, são as mais atacadas pelos usuários, contudo, o problema é infraestrutura. Chegarão muitos voos aos aeroportos, os pátios ficarão lotados, os check-ins e as salas de embarque não estão prontos e as pessoas culparão as companhias aéreas. Mas a falta de preparo dos aeroportos é o maior motivo de atrasos e cancelamentos de voos.

 

BL – Pode citar exemplos práticos desses problemas?
Em Guarulhos, que é a porta de entrada de quem chega ao Brasil, é comum ter que ficar uma ou duas horas sobrevoando o aeroporto, seja pelo excesso de aviões no ar ou em solo, falta de lugar para taxiar e estacionar a aeronave. Isso gera embarque e desembarque em áreas remotas ou de carga, o que demanda grande espera de ônibus que buscam e levam pax aos terminais. Algumas vezes também temos que aguardar na Taxiway, em uma grande fila de aeronaves, a liberação para pouso e/ou decolagem. É muito avião para pouco espaço.

 

BL – Faltam sinalizações em outros idiomas e também acessibilidade nos aeroportos brasileiros?
Sim. Falta inclusive segurança. Nem todos os aeroportos estão com todas as ferramentas de combate a incêndio instaladas, por exemplo. Ainda é tudo muito confuso tanto no que tange aos idiomas, às informações e também à acessibilidade. Os passageiros vão encontrar muitos problemas e aeroportos maquiados e pouco funcionais para a Copa.

 

Esta é apenas a primeira parte dessa entrevista especial. Na próxima semana o comissário de voo Lucas Muniz nos ajudará a avaliar as Condições de trabalho dos tripulantes e equipes em terra.

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