Cuidados na logística do transporte de medicamentos

O transporte de medicamentos tem particularidades que normalmente não existem no transporte de produtos “comuns”. Isso ocorre devido a esses medicamentos terem sensibilidade às variações de iluminação, umidade e temperatura, por exemplo. Sendo assim, é fundamental manter um cuidado com a qualidade no manuseio, armazenamento e envio para que os remédios ainda sejam eficazes quando chegam ao consumidor.

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Pensando na importância que essas operações de transporte têm para garantir a saúde e o bem-estar dos clientes, elaboramos o artigo de hoje para explicar melhor o assunto. Continue a leitura para saber como funciona a distribuição e os cuidados que devem ser tomados durante o transporte.

Existe alguma exigência legal específica para esse tipo de transporte?

Não existe uma lei específica que regulamenta o transporte de medicamentos. Entretanto, existem algumas normas e fiscalizações que devem ser cumpridas nas operações a fim de averiguar se as empresas estão em conformidade com as exigências.

Nesse caso, a responsável por esse controle é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ela tem um manual chamado de Boas Práticas no Transporte de Medicamentos que visa orientar operadores logísticos e transportadoras a respeito das condições adequadas do armazenamento, acondicionamento, movimentação e distribuição.

Quais cuidados devem ser tomados no transporte de medicamentos?

Como já se sabe, o transporte de produtos farmacêuticos não segue os mesmos padrões de outros itens e ainda precisa atender aos requisitos básicos que a Anvisa determina. Confira, nos tópicos a seguir, alguns cuidados que devem ser observados durante todo o processo.

Gestão de estoque

A garantia de qualidade dos produtos já deve começar antes mesmo da etapa do transporte, principalmente quando se trata de um operador logístico, que também é responsável pelas operações de armazenagem — pois, de nada adianta estruturar a distribuição e alcançar excelência, se não existe o mesmo cuidado no estoque, prejudicando a eficácia dos remédios.

Portanto, o ideal é que o armazém conte com câmaras frias, para garantir a temperatura adequada aos produtos que são termossensíveis, como:

  • vacinas;
  • insulinas;
  • quimioterápicos.

Além disso, também é necessário considerar a necessidade de cada grupo de medicamentos, que podem exigir temperaturas mais baixas (como vacinas e insulinas que devem estar em ambiente entre 2ºC e 8ºC). De qualquer forma, o ideal é que, mesmo os itens que não demandam a refrigeração, sejam acondicionados em temperaturas de até 25ºC.

Profissional farmacêutico

O distribuidor que atua com transporte de medicamentos deve contratar um farmacêutico e ainda conseguir o Certificado de Regularidade do Conselho Regional de Farmácia — exigido pela Anvisa. Isso é necessário para obter autorização de funcionamento e a emissão de licença necessária para o exercício dessa atividade.

O farmacêutico será responsável por identificar as necessidades do produto, o que envolve as características de conservação, o acondicionamento adequado dentro do veículo, higiene e limpeza dos ambientes. Ele também evita que esses medicamentos entrem em contato com outros itens, que podem ser tóxicos ou radiativos.

Além disso, o processo de recebimento das cargas deve ser feito com o acompanhamento de um profissional capacitado (de preferência o farmacêutico do estabelecimento) e no caso de qualquer inconformidade que surgir, deve haver devolução para o fornecedor.

Embalagem

O processo de embalar os produtos também deve ser feito adequadamente, a fim de evitar avarias e outros problemas. O ideal é que as caixas utilizadas tenham o tamanho certo — evitando que fiquem justas demais (correndo o risco de rasgar) ou grandes demais (podendo causar danos com a movimentação).

Também é preciso atentar para a questão da necessidade de recipientes especiais para determinados itens, como é o caso da utilização de caixas de isopor para manter a temperatura necessária.

Veículos adequados

Outro aspecto muito importante é a utilização de veículos adaptados para realizar o envio dos produtos farmacêuticos. Existem casos em que é necessário usar baú refrigerado (principalmente em longas distâncias) e outros em que apenas o uso de minicontêineres ou caixas de isopor já é suficiente (em curtas distâncias).

É preciso, também, avaliar as exigências dos clientes, que podem demandar veículos refrigerados pela possibilidade de registrar a variação de temperatura ao longo da viagem e ter uma garantia maior de que os níveis serão mantidos dentro da faixa considerada ideal.

Planejamento de rotas

A logística do transporte de medicamentos envolve mais do que a qualidade das embalagens, temperatura ou separação de outros produtos: também é preciso pensar na rota que será executada para enviar os produtos — principalmente quando existe urgência na entrega.

As rotas são definidas com cuidado, com preferência por vias de melhor qualidade para evitar acidentes com o veículo e a carga. O transportador deve ter em mente a possibilidade de congestionamentos em rodovias ou em regiões de mudanças de modal logístico, como portos e aeroportos.

Considerando-se as temperaturas altas de muitas regiões brasileiras, o tempo parado em engarrafamentos pode ser crítico nas operações. Ainda há outros fatores de risco como roubos e assaltos.

Isso se torna um desafio ainda maior considerando a baixa qualidade de muitas rodovias brasileiras.

Opções de modais de transporte

Dependendo da particularidade do produto ou da urgência na entrega, é possível que as empresas tenham que optar pelo modo aéreo para realizar o transporte. Apesar de ser mais caro, ele assegura que as entregas serão feitas em menor tempo hábil.

Rastreamento das cargas

O monitoramento do transporte também é crucial para que as operações sejam bem-sucedidas. Ele ajuda a verificar o cumprimento das rotas que foram planejadas e a monitorar os status das entregas. Também é importante para ajudar a garantir que a segurança dos produtos esteja sendo mantida durante todo o percurso.

Além disso, caso ocorra algum incidente como falha mecânica do veículo ou furtos e roubos, a central pode ter ciência imediata dessas ocorrências (por meio do monitoramento em tempo real) e agir imediatamente, tornando as ações mais eficazes — ou ajudando a polícia em caso de crimes.

O mercado de produtos farmacêuticos é muito bom, principalmente por ter uma demanda regular e não sofrer com a sazonalidade. Para empresas que resolvem fazer o transporte de medicamentos, é um nicho que pode trazer excelente retorno, apesar de todos os cuidados que devem ser tomados e o cumprimento das exigências feitas pela Anvisa.

O que achou do artigo de hoje? Ainda ficou alguma dúvida sobre o tema? Então aproveite e entre em contato conosco para esclarecer questões relacionadas à logística.

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7 Comentários

  1. Avatar Alexandre Marques disse:

    Olá qual modal devo usar para transportar medicamento para Argelia e nesse pais e melhor usar caminhão ou tem outra opção e também tem o clima e muito quente.

    Atenciosamente.

    Trabalho para faculdade

  2. Avatar Uboracimar disse:

    Bom dia, você tem algum artigo que fala sobre transporte aéreo de medicamento.

  3. Avatar IOliveira disse:

    Bom dia , Tudo bem ? Caso tenha alguma referencia de rotas e perímetro considerados “seguro ” para sustentar o planejamento de rotas e critérios de reintegração ao estoque.
    Desde já agradeço

  4. Avatar IOliveira disse:

    Parabéns pelo site !
    Bom dia , Tudo bem ? Caso tenha alguma referencia de rotas e perímetro considerados “seguro ” para sustentar o planejamento de rotas e critérios de reintegração ao estoque.
    Desde já agradeço

  5. Avatar jhones santana rogassiano disse:

    voçes agregam fiorino ano 2012 carga seca

  6. Avatar José Alfinete disse:
    Seu comentário está aguardando moderação. Esta é uma pré-visualização, seu comentário ficará visível assim que for aprovado.

    Pretendo elaborar um plano de transporte do deposito Provincial para os distritos, tenho dificuldade.

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